Preguntas frequentes

Dada a atual conjuntura de globalização da ayahuasca em suas diferentes matizes, seja no uso religioso ou através dos diversos estudos e pesquisas, entendemos a necessidade de se aprofundar no diálogo e no debate entre os diferentes atores dessa globalização, sendo estes os povos indígenas/originários, acadêmicos, cientistas, terapeutas e etc.

Buscamos promover uma confluência entre dois movimentos de referência que, no caso da biocultura da ayahuasca, têm, ao longo dos anos, se destacado como espaços importantes de reflexão, de estabelecimento de acordos e de construção de processos de vanguarda. Trata-se da Conferência Indígena da Ayahuasca, protagonizada pelos povos indígenas, e a Conferência Mundial da Ayahuasca (World Ayahuasca Conference), organizada pelo ICEERS.

Portanto, este evento é mais do que um simples fórum, pois marca um encontro emblemático, intercultural e interdisciplinar entre estes distintos movimentos de referência.

Por isso, buscamos fortalecer as redes globais voltadas para o apoio em crises, assistência jurídica, regulamentação baseada em consenso, alianças interculturais de conhecimento, consórcios de pesquisa e muito mais. É uma resposta aos desafios que as bioculturas enfrentam em um mundo em rápida globalização, buscando fortalecer o protagonismo indígena nos espaços internacionais de tomada de decisão.

É o momento oportuno para construir um roteiro coletivo que dialogue com a contemporaneidade e a globalização ética das práticas com plantas, com raízes nos conhecimentos e ciências tradicionais dos povos indígenas e nos sistemas de conhecimento baseados numa nova leitura do cientificismo acadêmico e epistemológico.

Isso inclui a geração de propostas concretas e o fortalecimento da solidariedade entre regiões impactadas pelo extrativismo predatório e pela apropriação cultural e intelectual.

Ao longo das cinco edições das Conferências, este evento foi se tornando um importante espaço de diálogo e de construção de estratégias de ação, com o estabelecimento de pautas e agendas importantes a serem alcançadas, tendo como foco objetivos-chave: soberania, direitos, ética e resistência.

O Fórum Mundial da Ayahuasca dá maior ênfase ao engajamento em políticas internacionais, à colaboração transdisciplinar e à formação de alianças com outras tradições com bioculturas, além da ayahuasca. Ele marca uma mudança da articulação regional para a ação estratégica global.

Entre suas estratégias e objetivos, este movimento apresenta a necessidade de ampliar sua atuação e, por consequência, dar mais amplitude às suas vozes, refletidas aqui nas lideranças espirituais indígenas que compõem seu corpo existencial.

Enquanto as conferências indígenas, realizadas exclusivamente em territórios indígenas, com protagonismo exclusivo indígena e com um diálogo predominantemente “para dentro”, este fórum mundial trata-se de processo “para fora e junto”, num dialogo entre o universo comunitário indígena e o o universo ocidental mais individualizado.

Assim, esse fórum tem como base esse legado, mas dá um passo adiante ao ser coorganizado desde o início por lideranças e instituições indígenas, junto a aliados do mundo acadêmico científico, com ênfase no engajamento com políticas internacionais, colaboração transdisciplinar e construção de alianças com outras tradições de plantas além da ayahuasca.

O encontro marca uma transição da articulação regional para uma ação estratégica em escala global.

As três edições anteriores da Conferência Mundial da Ayahuasca foram organizadas exclusivamente pelo ICEERS e, embora tenham contado com a participação de lideranças indígenas, esta é a primeira vez que um evento global sobre ayahuasca está sendo oficialmente coorganizado, desde o início, com representantes do Conselho de Lideranças Espirituais Indígenas (CLEI), neste caso, via o Instituto Yorenka Tasorentsi.

Outra diferença fundamental está na estrutura de governança: as decisões sobre a programação, os convidados e os desdobramentos do fórum estão sendo tomadas em consenso com lideranças indígenas, refletindo uma mudança da consulta para a tomada de decisão conjunta.

Desde 2018, o Instituto Yorenka Tasorentsi (IYT) vem representando o processo de organização do Conselho de Lideranças Espirituais Indígenas (CLEI), sendo que, durante a V Conferência Indígena da Ayahuasca, ficou decidido pela plenária do evento que este instituto continuaria representando os interesses e as pautas até o pleno funcionamento deste conselho, conforme pode ser verificado na Carta da quinta edição. Este evento encontra-se dentro das pautas previstas e sob a coordenação do IYT, que atua em nome deste movimento.

Desde a IV Conferência Indígena da Ayahuasca, diálogos vem sendo realizados entre os movimentos, de maneira que traçou-se um horizonte para a realização de um grande evento, de escala mundial, que será este fórum.

As duas instituições estão trabalhando juntas na construção da visão, do conteúdo e da realização do fórum. Essa estrutura colaborativa parte de um processo de construção de confiança mútua e compromisso com o diálogo intercultural, os direitos bioculturais e o futuro das práticas com bioculturas, como a ayahuasca.

As lideranças e instituições indígenas não são apenas participantes, mas sim coorganizadores e também responsáveis pelas decisões relativas ao desenho e à visão do fórum. Isso representa uma mudança importante em direção à governança colaborativa e à corresponsabilidade intercultural.

Organizar e Fortalecer o Movimento

  • Definir a formação da aliança, esclarecendo o papel de cada parceiro e o plano colaborativo.
  • Envolver financiadores estratégicos para alinhar os recursos com a visão em longo prazo.
  • Coordenar e criar de forma colaborativa o processo de governança intercultural em escala global.

 

Soberania e Direitos Indígenas

  • Promover proteções legais, dentro e fora dos países de origem, para lideranças espirituais indígenas e suas medicinas tradicionais.
  • Contribuir para o fortalecimento da governança indígena por meio do Conselho de Lideranças Espirituais Indígenas (CLEI).

 

Garantir Futuros Seguros e Éticos

  • Promover a responsabilidade coletiva e os padrões culturalmente enraizados para garantir que as práticas com ayahuasca sejam seguras, éticas e informadas em nível global.
  • Enfrentar o extrativismo, a biomedicalização e seus danos culturais,  ampliando as soluções indígenas.
  • Desenvolver marcos regulatórios e propostas políticas.
  • Apresentar um Marco Regulatório Comunitário.

 

Reunir pesquisadores internacionais e interdisciplinares

  • Promover a decolonização da ciência por meio do aprendizado mútuo e do diálogo entre sistemas diferentes de conhecimento.
  • Saber como o conhecimento tradicional indígena pode colaborar com o conhecimento ocidental e vice-versa.
  • Elaborar “Planos de Ciência” interculturais junto com lideranças indígenas e comunidades científicas.

 

Narrativas Decoloniais

  • Transformar o discurso público: vincular a ayahuasca aos direitos indígenas e à cura ecológica.
  • Reformular as narrativas científicas dominantes, introduzindo perspectivas bioculturais, epistemologias indígenas e experiências empíricas.

Sim. Um relatório resumido e, possivelmente, uma declaração conjunta serão redigidas por lideranças indígenas e seus aliados e disponibilizados publicamente. Esses documentos refletirão os principais diálogos, consensos e recomendações que emergirem do fórum.

O local escolhido foi a Europa. Este movimento simboliza para os povos originários das Américas e de outras partes do mundo a possibilidade de ressignificar as antigas rotas coloniais e seus fluxos de conhecimento. Assim, essas mensagens tende a alcançar um público mais amplo, com a possibilidade da participação de atores relevantes no momento atual.

Entendemos que, estrategicamente, levar essa mensagem a um público mais amplo, fora da Amazônia, pode gerar um grande impacto e facilitar a participação de atores relevantes, como governos e outros envolvidos, devido ao acesso mais fácil a esses agentes tomadores de decisão.

Decidimos então realizar o primeiro Fórum Mundial da Ayahuasca em Girona, na Espanha.

As possíveis futuras edições do fórum poderão acontecer de forma alternada em diferentes regiões, inclusive retornando a territórios amazônicos, com o objetivo de fortalecer o engajamento recíproco e ampliar as realidades regionais em escala global.

Não. Este evento está sendo realizado em colaboração e ressignificação da relação entre as instituições, não se tratando de um movimento de interesse parcial e privado, pelo contrário. Trata-se de um posicionamento comum, impessoal e coletivo em defesa dos direitos e proteção das bioculturas e suas comunidades tradicionais.

As lideranças indígenas envolvidas são autoridades respeitadas em suas comunidades e muitas delas em diversas partes do mundo. As participações têm como base relações de confiança mútua construídas ao longo do tempo, sem incentivos financeiros ou influência política.

Não. Este não é um encontro cerimonial. O fórum é um espaço voltado para diálogos importantes e genuínos que contará também com uma variedade de apresentações (falas, música, dança, artes), algumas das quais podem incluir elementos ritualísticos tradicionais.

O fórum e seus organizadores não irão disponibilizar ayahuasca nem outras medicinas ou realizar quaisquer cerimônias com uso das bioculturas.

Dito isso, práticas tradicionais e visões de mundo cerimoniais poderão estar representadas de forma simbólica, demonstrativa e educativa, sempre com curadoria em colaboração com lideranças indígenas para garantir a integridade cultural.

Sim. Por meio de materiais audiovisuais, painéis, exposições, falas e apresentações culturais, os participantes terão a oportunidade de conhecer cosmovisões, valores e práticas rituais tradicionais, sempre em um contexto educativo e não por meio da experiência direta em cerimônias.

Esses espaços educativos serão concebidos com o consentimento e a participação de indígenas, que enfatizarão a escuta experiencial, a ética da reciprocidade e os métodos de aprendizagem decoloniais e contracoloniais. 

Não. Ayahuasca ou outras bioculturas presentes não serão servidas e nem comercializadas durante o fórum.

Essa política reflete um compromisso com o cumprimento da legislação local, o respeito cultural e a segurança dos participantes.

Para além das questões legais, o fórum busca criar um espaço dedicado ao diálogo intercultural, à educação e à colaboração. A oferta de medicinas poderia desviar o foco desses objetivos e gerar mal-entendidos ou representações equivocadas das práticas indígenas e da essência deste importante evento.

Ao focar em discussões, apresentações e intercâmbios culturais, o fórum busca honrar as tradições e os sistemas de conhecimento das comunidades indígenas de forma respeitosa e em conformidade com a lei local.

Os participantes serão convidados a engajar com a programação do fórum, que inclui painéis, falas e apresentações culturais que oferecem visões sobre cosmovisões tradicionais e valores e práticas rituais em um contexto educativo.

Essa abordagem garante que o fórum seja um ambiente seguro, respeitoso e inclusivo.

Não é permitido portar ou consumir ayahuasca ou outras medicinas tradicionais durante o fórum. Embora o marco legal da Espanha em relação à ayahuasca seja complexo, é importante destacar que a DMT (N,N-Dimetiltriptamina), um dos principais composto da ayahuasca, é classificada como substância controlada pela legislação espanhola. A posse, a venda ou o consumo de DMT pode acarretar consequências legais.

Apesar de as plantas utilizadas no preparo da ayahuasca não serem explicitamente regulamentadas, a presença de DMT na bebida coloca sua posse sob conformidade legal.

Casos jurídicos na Espanha demonstram que pessoas encontradas com ayahuasca podem enfrentar problemas legais, incluindo acusações criminais.

Além disso, a legislação espanhola proíbe o consumo de substâncias controladas em espaços públicos, o que inclui locais de eventos.

Violações podem resultar em multas administrativas que variam de €601 a €30.000, o que equivale a aproximadamente R$ 4.000 a R$ 200 mil.

Para garantir a segurança e a conformidade legal de todos os participantes, o fórum proíbe estritamente a posse ou consumo de ayahuasca e outras medicinas tradicionais em seu espaço.

Essa política se aplica independentemente da tradição pessoal, origem ou experiência dos participantes. Pedimos a todas as pessoas que respeitem a segurança coletiva, a legalidade e o espírito intercultural deste encontro.

Sim. É evidente a necessidade de troca de saberes, experiências e diálogo com outras bioculturas, como o peiote, a iboga, o sapo, os cogumelos, a coca e a jurema, bases culturais de outros povos indígenas.

Observamos que essas bioculturas frequentemente enfrentam desafios semelhantes e, em muitos casos, coexistem com a ayahuasca, que, como resultado de sua globalização, tem se aproximado cada vez mais e, em alguns contextos, se integrado a diferentes regiões, em diálogo com as plantas centrais nas práticas tradicionais.

Por isso, a participação de representantes dessas bioculturas estará garantida neste fórum, através de espaço próprio para este debate.

O fórum promove ativamente o diálogo entre múltiplas bioculturas, com o objetivo de identificar desafios comuns, promover a defesa mútua dos direitos bioculturais e explorar a pluralidade de cosmovisões relacionais.

Sim. Os cientistas e pesquisadores acadêmicos desempenham um papel importante no fórum. Suas contribuições são necessárias para moldar um diálogo significativo entre os sistemas de conhecimento e promover abordagens éticas e colaborativas para a pesquisa.

Cientistas e pesquisadores acadêmicos de todos os sistemas de conhecimento, culturas e disciplinas são muito bem-vindos e incentivados a participarem do fórum, especialmente porque um dos principais objetivos do encontro é estabelecer consórcios globais de grupos de pesquisa comprometidos com práticas de pesquisa colaborativas e não extrativistas.

Aqueles que buscam realizar pesquisas junto com comunidades indígenas e apoiar abordagens transdisciplinares encontrarão um terreno fértil para diálogo e possibilidades de parcerias.

Sim. Os formuladores de políticas, profissionais da área jurídica e consultores em geral desempenham um papel fundamental na definição do futuro de medicamentos à base de plantas e conhecimentos tradicionais e sua integração às estruturas nacionais e internacionais.

O fórum oferece um espaço único e oportuno para que os atores jurídicos e políticos se envolvam em um diálogo significativo com lideranças indígenas, cientistas e representantes da comunidade.

Tópicos como regulamentação, direitos humanos, defesa legal e políticas públicas serão explorados sob a ótica da ética, da integridade cultural e da reciprocidade.

O fórum se fundamenta em princípios como protagonismo, respeito, reciprocidade, transparência, diálogo intercultural e autodeterminação dos povos indígenas. Esses princípios guiarão todas as decisões, programações e interações ao longo do evento.

Sim. O fórum disponibilizará orientações claras para promover o engajamento respeitoso e coibir a apropriação cultural ou atitudes que venham a desarmonizar o percurso do evento. Os participantes deverão seguir protocolos informados pela organização do evento a serem seguidos e deverão acatar as orientações de forma respeitosa e consciente. Estes protocolos procurarão atender os interesses e a segurança de todos os participantes.

Sim. Haverá tradução simultânea disponível em vários idiomas, incluindo espanhol, inglês e português. Outros idiomas poderão ser oferecidos de acordo com as necessidades dos participantes.

Sim. Todo o material do fórum, como as apresentações, estará disponível gratuitamente para todos que participaram do evento em alguma modalidade. Para os demais, o conteúdo estará disponível para compra após o encerramento do fórum.

Os participantes poderão contribuir para além da presença, participando de grupos de trabalho, apoiando iniciativas comunitárias, disseminando os resultados do fórum e se engajando em colaborações interculturais contínuas. As oportunidades para se manter envolvido serão anunciadas durante e após o evento.

Mais informações em breve.

Mais informações em breve.

Sim. O fórum será um espaço acolhedor para famílias, com ambientes acessíveis a pessoas de todas as idades. Alguns conteúdos podem ser mais adequados para adultos. Essa informação será sinalizada na programação.

Os organizadores estão comprometidos em garantir um ambiente seguro e respeitoso. Haverá segurança, suporte médico e uma equipe treinada com a sensibilidade para apaziguar possíveis conflitos interculturais.

O local do evento contará com infraestrutura de acessibilidade para pessoas com deficiência, incluindo acesso para cadeirantes, assentos reservados e assistência mediante solicitação. Pedimos que entre em contato com a equipe organizadora com antecedência para solicitar adaptações específicas pelo e-mail info@ayahuasca2026.com.

Os organizadores estão comprometidos em minimizar a pegada ecológica do evento, utilizando materiais sustentáveis, reduzindo o desperdício e incentivando formas de transporte de baixo impacto. A responsabilidade ecológica será um tema transversal nas discussões do fórum.

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Ingressos

FÓRUM MUNDIAL DA AYAHUASCA
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