História

As Raízes do Nosso Fórum

O espírito e a intenção por trás do Fórum Mundial da Ayahuasca encontram profunda ressonância em uma declaração da IV Conferência Indígena da Ayahuasca, uma expressão poderosa que reflete a trajetória que levou a esta convergência histórica.

O que se segue é uma reflexão inspirada na linguagem, na cosmovisão e na visão dessa declaração, oferecida como uma ponte para compreender o contexto mais profundo deste fórum:

”(…) a ótica de mundo intimamente ligada a ecologia ambiental e espiritual que une o humano com o “não humano”. Ótica essa que, se por anos manteve-se coberta pela invisibilidade imposta pelos governos e comumente desacreditadas ante a ciência, a filosofia estruturante e as políticas da sociedade ocidental, nos últimos anos passou a ganhar espaço através do aumento das interações entre as  lideranças espirituais que atuaram como arautos desses conhecimentos e nichos dessa sociedade colonizante, representados por uma geração que percebeu a importância desses povos e de sua visão de mundo para os diferentes dilemas e males que assolam a atual estrutura de mundo, totalmente desequilibrada e prejudicial ao meio ambiente e à existência humana. Traz, ainda em seu bojo, a necessidade de desconstrução de falsos conceitos, assim como a mudança na percepção jurídica dos países onde grupos organizados utilizam as diferentes medicinas.”

Inspirado na declaração da IV Conferência Indígena da Ayahuasca (2022), realizada no Instituto Yorenka Tasorentsi, no Acre, Brasil.

Uma Convergência Histórica

O Fórum Mundial da Ayahuasca marca uma convergência histórica: a consolidação do encontro entre o Conselho de Lideranças Espirituais Indígenas, representado pelo Instituto Yorenka Tasorentsi, e o ICEERS, transformando anos de trabalhos paralelos em ação unificada.

Não é um evento isolado, mas sim um marco sagrado em nossa jornada contínua rumo à governança intercultural e ao estabelecimento de bases comuns para o diálogo global.

O Instituto Yorenka Tasorentsi foi fundado pelo líder Ashaninka Benki Piyãko, com a missão de abordar de forma integrada questões ecológicas, culturais e sociais. Entre suas atividades busca contribuir com a mobilização social e proteção de direitos essenciais e coletivos dos povos indígenas, a proteção, valorização e esclarecimentos sobre os conhecimentos espirituais e suas práticas materiais e imateriais, bem como o conhecimento e a ética de uso de suas medicinas sagradas.

Prova disso são os esforços no processo de organização das lideranças espirituais indígenas, como fonte de sabedoria e práticas conscientes no uso desses conhecimentos.

Destacamos a criação e a condução do importante evento denominado Conferência Indígena da Ayahuasca que, desde 2017 vem ocorrendo no estado do Acre, no Brasil, e crescendo no interesse das principais lideranças espirituais indígenas que, através de um processo participativo e de consenso demandam diferentes agendas e mobilizações, ficando, nesse processo, o IYT como propagador e executor de muitas destas iniciativas.

O ICEERS é dedicado a transformar a relação da sociedade com as medicinas tradicionais indígenas e as respectivas comunidades detentoras de saberes. Há mais de 15 anos, o ICEERS atua na interseção entre contextos indígenas e globais e entre governo e sociedade civil, mitigando danos, promovendo pesquisas e políticas públicas e fomentando abordagens colaborativas diante das complexas realidades da globalização das medicinas ancestrais. 

O ICEERS organizou três Conferências Mundiais da Ayahuasca (2014, 2016 e 2019), que ajudaram a estabelecer as bases para o diálogo global — agora em processo de evolução sob governança indígena. Suas conferências foram pausadas para reavaliar suas estratégias ao passo que ocorreu neste mesmo período o protagonismo e o pleno desenvolvimento das Conferências Indígenas.

As três edições anteriores da Conferência Mundial da Ayahuasca foram organizadas pelo ICEERS e colaboradores, embora tenham contado com a participação de lideranças indígenas, esta é a primeira vez que um evento global sobre ayahuasca está sendo oficialmente coorganizado, desde o início, com representantes do Instituto Yorenka Tasorentsi, que está conduzindo os processos e pautas do Conselho de Lideranças Espirituais Indígenas até seu total funcionamento. 

Outra diferença fundamental está na estrutura de governança: as decisões sobre a programação, os convidados e os desdobramentos do fórum estão sendo tomadas por consenso com lideranças indígenas, refletindo uma mudança da consulta para a tomada de decisão conjunta.

Paralelamente, o grupo de representantes da espiritualidade dos povos indígenas reúne-se através da realização das Conferências Indígenas da Ayahuasca, desde 2017, com um plano de trabalho permanente, que prevê não apenas a continuidade da realização das conferências indígenas, mas também uma expansão do diálogo com povos originários de todo o mundo..

Ao longo de suas cinco edições, as Conferências Indígenas da Ayahuasca tornaram-se um importante espaço de diálogo e de construção de estratégias de ação, com o estabelecimento de pautas e agendas importantes, tendo como foco os objetivos-chave o respeito à soberania e aos direitos indígenas, a ética e a resistência. As conferências indígenas seguem em curso, criando diferentes protocolos e processos, assim como articulações estratégicas.

Entre estas estratégias, dada a atual conjuntura de globalização da ayahuasca em suas diferentes nuances, seja no uso religioso e holístico, seja através dos diversos estudos e pesquisas, entende-se a necessidade de se aprofundar o diálogo e debate entre os diferentes atores dessa globalização: povos indígenas, acadêmicos, cientistas, terapeutas, etc. Essa necessidade está expressa através da Carta da V Conferência Indígena da Ayahuasca, onde se exorta a necessidade premente de que a comunidade internacional precisa ouvir as vozes e as mensagens de lideranças indígenas, representantes de seus saberes ancestrais.

Estas são mensagens que dizem respeito a todo o mundo, pela necessidade de proteção jurídica de suas medicinas ancestrais, da ética de seu uso dentro dos preceitos tradicionais e holísticos, o reconhecimento da propriedade intelectual desse conhecimento e a necessidade de proteção jurídica também para as lideranças espirituais que comumente realizam seus rituais, troca de saberes e ações curativas pelo mundo.

A necessidade de troca de saberes, experiências e diálogo com as outras bioculturas (iboga, peiote, cogumelos, etc), bases culturais de outros povos originários, também se tornou necessária.

Foi observado que estes povos certamente passam pelos mesmos desafios e, em muitos casos, convivem com a biocultura da ayahuasca que, como resultado de sua globalização, tem se aproximado e, muitas vezes, se consolidado em diferentes regiões, em diálogo com as plantas protagonistas das práticas tradicionais locais. Assim, a participação de representantes destas bioculturas sempre foi estimulada nas conferências.

Já a partir da IV Conferência Indígena da Ayahuasca, realizada na sede do Instituto Yorenka Tasorentsi, na cidade de Marechal Thaumaturgo-Acre, no Brasil, em 2022, o grupo de direção do evento, através de suas lideranças, decidiu pelo estabelecimento do diálogo com o ICEERS, com vistas a trocar informações e reflexões sobre pontos comuns e, nisso, pensar estratégias conjuntas de comunicação e diálogo em nível global sobre estas questões, tendo como base a ótica e o protagonismo indígena nesse processo.

E assim, já nos trâmites de construção da V Conferência, havia a discussão sobre a necessidade de amplificação da mensagem dos povos indígenas e do diálogo intercultural global sobre a questão da ayahuasca, a partir do prisma destas lideranças espirituais e suas preocupações e percepções.

Foi decidido, então, pela realização do Fórum Mundial da Ayahuasca, em Girona, na Espanha, para alcançar este objetivo, entendendo que é uma ação estratégica levar essa mensagem a um público mais amplo, fora da Amazônia, para gerar maior impacto e facilitar a participação de atores relevantes, como governos e outros envolvidos, devido ao acesso mais fácil.

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FÓRUM MUNDIAL DA AYAHUASCA
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