Processos de autorregulação da ayahuasca

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Enquanto aguardam mudanças regulatórias em nível estadual, várias organizações em países como Espanha, Holanda, Estados Unidos, Reino Unido, Costa Rica, entre outros, estão empreendendo processos de autorregulação. Esses esforços visam permitir que as próprias comunidades proponham princípios de boas práticas que garantam a segurança e a proteção desses remédios tradicionais. Nesta sessão, ouviremos propostas de vários desses países.

vozes destacadas

Melissa Stangl
Cofundadora de um centro de cura

Melissa Stangl é cofundadora e diretora de operações (COO) do Soltara Healing Center, um centro de cura com ayahuasca liderado pela comunidade shipibo. Após uma carreira em engenharia, ciência e pesquisa oncológica, deixou a vida corporativa em 2015 para viver e trabalhar na Amazônia peruana, onde geriu as operações de um centro de retiros de ayahuasca antes de ajudar a fundar a Soltara. É autora de The Roots of Consciousness e tem falado amplamente sobre medicina vegetal, a ética do turismo de ayahuasca e as pontes entre as abordagens ocidentais e indígenas de cura.

Taita Luciano Mutumbajoy Buesaquillo
Médico tradicional do yagé e líder espiritual do povo Inga

Taita Luciano Mutumbajoy Buesaquillo é médico tradicional e líder espiritual do povo Inga do Piemonte Andino-Amazônico colombiano, nascido em Mocoa, Putumayo. Com mais de sessenta anos de trajetória na medicina tradicional do yagé e no uso de plantas medicinais, dedicou sua vida à preservação dos conhecimentos ancestrais, à proteção do território e ao fortalecimento cultural dos povos indígenas.

Como autoridade do Cabildo Indígena Inga Kamëntsá de Mocoa, promoveu desde 1987 os primeiros encontros e intercâmbios entre médicos tradicionais do Alto Putumayo, processo que culminou, em 1999, na fundação da União dos Médicos Indígenas Yageceros da Amazônia Colombiana (UMIYAC), organização da qual é membro fundador. Ao longo de sua trajetória, acompanhou processos de fortalecimento organizacional e de medicina tradicional junto a diversas organizações indígenas da Colômbia e compartilhou sua experiência com povos indígenas do Brasil, Costa Rica, Canadá, Estados Unidos e Suriname.

Atualmente integra o Conselho Espiritual de Anciãos da UMIYAC e continua liderando brigadas comunitárias de saúde e processos de educação intercultural. Seu trabalho promove a harmonia entre a Mãe Terra e a humanidade, contribuindo para a preservação da medicina ancestral como fundamento do bem viver e da continuidade cultural dos povos indígenas.

Eva Césarová
Pesquisadora, comunicadora e defensora da pesquisa psicodélica

Eva Césarová estudou comunicação de marketing e produção cinematográfica, obtendo posteriormente um mestrado em estudos sobre dependências. Trabalhou durante cinco anos na organização internacional Youth RISE, onde representou, junto às Nações Unidas, as vozes de jovens que fazem uso de substâncias psicoativas.

É cofundadora da Sociedade Psicodélica Tcheca e da Fundação Sarava, que apoia povos indígenas e a conservação da floresta amazônica. Organiza eventos relacionados aos psicodélicos, atua como porta-voz da pesquisa psicodélica no Centro de Pesquisa Psicodélica do Instituto Nacional de Saúde Mental e participa como pesquisadora de um estudo apoiado pelo Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais da República Tcheca e realizado sob os auspícios da clínica psicodélica Psyon, sediada em Praga.

Foi editora do livro Psychedelics in Czech and Slovakia. Seus artigos foram publicados em diversos meios de comunicação e publicações especializadas.

Manuel Villaescusa
Psicólogo clínico e defensor do uso responsável das medicinas tradicionais

Manuel Villaescusa é psicólogo clínico e vive em Madri, Espanha. Há muitos anos mantém um forte compromisso com o uso seguro e responsável das medicinas tradicionais de plantas, especialmente a ayahuasca. Seu trabalho combina a formação clínica com um profundo e contínuo envolvimento com as tradições amazônicas indígenas e sincréticas relacionadas ao uso de medicinas vegetais.

É cofundador da Plataforma para la Defensa de la Ayahuasca (plataforma.org), criada na Espanha em 2010 para promover o reconhecimento legal e cultural do uso da ayahuasca. Também é cofundador da FERM Red Micelio (redmicelio.org), uma federação de entidades dedicada ao estudo e ao trabalho com enteógenos.

Floris Moerkamp
Empreendedor, articulador de comunidades e defensor da autorregulação no campo psicodélico

Floris Moerkamp dedica-se há mais de dezesseis anos à interseção entre psicodélicos, construção decomunidades, empreendedorismo e incidência social. Criou e desenvolveu diversas organizações com e sem fins lucrativos, tanto dentro quanto fora do campo dos psicodélicos.

Desde 2014, está profundamente envolvido na criação e fortalecimento de organizações científicas e comunitárias nesse setor. Trabalhou para a OPEN Foundation, uma das principais organizações europeias dedicadas à pesquisa psicodélica, integrou o conselho da Dutch Smartshop Union (VLOS) e, em 2019, cofundou a Stichting Liaan.

A missão da Stichting Liaan é ajudar pessoas em toda a sua diversidade a trabalhar de forma segura com a ayahuasca nos Países Baixos. Para isso, reúne facilitadores de ayahuasca, cientistas, terapeutas, legisladores e outros profissionais com o objetivo de melhorar a qualidade e a segurança das práticas cerimoniais. Por meio da Liaan, mais de noventa por cento dos facilitadores de ayahuasca do país participaram de formações intensivas voltadas para ética, segurança e responsabilidade, contribuindo para a autorregulação do setor.

Essa ênfase na autorregulação reflete uma convicção profunda: Floris acredita que os padrões mais significativos devem ser desenvolvidos pelas próprias comunidades envolvidas, em vez de serem impostos por políticas externas que podem criar barreiras prejudiciais.

Sua trajetória abrange os campos científico, cerimonial e comercial dos psicodélicos, o que o leva a desconfiar de respostas simplistas. Atualmente, seu interesse está em compreender como um campo cerimonial diverso pode estabelecer seus próprios padrões antes que outros o façam por ele.

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