O diálogo entre medicinas ancestrais indígenas e outros sistemas médicos

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Nesta sessão exploramos como diferentes sistemas de medicinas indígenas compreendem saúde, doença, diagnóstico e tratamento — examinando conceitos centrais que sustentam as tradições da ayahuasca, bem como suas semelhanças e diferenças. Além disso refletiremos sobre: o que é cura? Como podemos avançar rumo à saúde global a partir de um lugar simétrico, no qual os sistemas médicos se complementem mutuamente? Examinamos o papel da descolonização na reinterpretação da saúde (mental, física, espiritual) por meio de abordagens interculturais, buscando sistemas de cuidado enraizados na reciprocidade, nos direitos culturais e no pluralismo epistemológico.

vozes destacadas

Germán Zuluaga
Médico, Doutor em Epidemiologia | Diretor do CEMI – Estudos Interculturais em Saúde

Germán Zuluaga Ramírez (Pereira, 1961) é diretor geral do Centro de Estudos Médicos Interculturais (CEMI) e diretor do Grupo de Estudos em Sistemas Tradicionais de Saúde (GESTS) da Faculdade de Medicina da Universidade del Rosario.

Médico cirurgião pela Universidade del Rosario (1984), com Mestrado em Ciências Médicas (2011) e Doutorado em Epidemiologia (2017) pela Universidade Autônoma de Guerrero (México). Há mais de quarenta anos combina atividades acadêmicas e científicas com a clínica médica geral. Recebeu o Prêmio Global 500 da ONU em 2002 e o Prêmio Paul Feyerabend em 2009. É Membro Honorário do ICCA Consortium e Pesquisador Sênior reconhecido pela Colciencias. É autor de numerosos livros e artigos científicos.

Seu trabalho tem se concentrado nos sistemas tradicionais de saúde de comunidades indígenas, afro-colombianas e mestiças, além da etnobotânica e da botânica médica. Há mais de quarenta anos trabalha pela conservação da biodiversidade, promoção da diversidade cultural e melhoria da saúde. Contribuiu para estabelecer novos critérios éticos para a pesquisa com comunidades por meio do diálogo intercultural. Em trabalhos recentes, propõe uma epidemiologia aplicada ao conhecimento tradicional, promove o pluralismo jurídico e defende o direito à diversidade epistemológica.

Simon Ruffell
Psiquiatra, pesquisador e aprendiz do povo Shipibo-Conibo

Dr. Simon Ruffell tem formação em medicina ocidental (como médico especializado em psiquiatria), psicologia de pesquisa (com doutorado sobre ayahuasca e saúde mental) e medicina tradicional das plantas (como aprendiz do curandeirismo Shipibo).

É fundador da Onaya Science, uma organização sem fins lucrativos que pesquisa os efeitos da ayahuasca em contextos amazônicos nativos, e CEO da Onaya, iniciativa que oferece educação e formação baseadas em saberes Indígenas e abordagens científicas. Esses projetos são realizados em colaboração com curandeiros tradicionais, coletivos indígenas, universidades e organizações sociais em diferentes partes do mundo.

Simon também é professor de Psicologia e Psicodélicos na Universidade de Exeter e diretor Médico da MINDS (Multidisciplinary Investigation into Novel Discoveries & Solutions), uma instituição sem fins lucrativos que investiga o papel dos psicodélicos e das práticas de consciência na solução dos grandes desafios da humanidade.

Seu trabalho é centrado em compreender as medicinas tradicionais Indíegnas, como a ayahuasca, tanto pela ótica Indígena quanto pela ciência ocidental, promovendo uma abordagem integrativa e relacional.

Edina Shanenawa / Pekãshaya
Liderança feminina Shanenawa e pioneira na saúde indígena no Acre (BR)

Pekãshaya, também conhecida como Edina Shanenawa, é uma reconhecida liderança feminina do Povo Shanenawa. É Cacique da Aldeia Shane Tatxa Kaya e uma respeitada Mulher Medicina, guardiã do conhecimento e das práticas ancestrais de cura de seu povo. Seu pioneirismo também se reflete na história de sua linhagem: foi a primeira mulher indígena do estado do Acre a receber o cocar de seu pai, o Cacique Shuayne Shanenawa, tradicionalmente o cocar é passado de pai para filho homem. Além disso, foi a primeira mulher no Acre a assumir a presidência do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi). Como autoridade política e espiritual, atua incansavelmente na defesa do território e da medicina ancestral.

Adana Omágua Kambeba
Médica e Liderança Omágua Kambeba

Adana Omágua Kambeba liderança do Povo Kambeba (Omágua, “Povo das Águas”), originária do Amazonas. Foi a primeira Indígena da Amazônia a se formar em Medicina pela UFMG e a primeira mulher de seu povo a obter tal feito no Brasil. Destaca-se por ser a primeira médica no país a registrar oficialmente ambos os nomes (Indígena e Português) em sua carteira profissional e nos registros do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Adana também inovou ao compor uma comissão do CFM para integração entre a Medicina Tradicional Indígena e a Científica. Atua no campo da Medicina de Família e Comunidade, saúde da mulher e parto humanizado, além de ser “Prescritora de Cannabis” e atuar em discussões sobre a medicina ancestral com a Psychedelic Parenthood Community e a Conferência Indígena da Ayahuasca.

Atualmente, em formação xamânica, busca promover o diálogo entre as medicinas tradicional e ocidental para a saúde Indígena e atua como educadora, palestrante e conselheira espiritual.

Tópicos

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Ayahuasca
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